Mas qual a geração que aprendeu?
Mas qual a geração que aprendeu?
Quando comecei a escrever essa última coluna, essa pergunta me fez caminhar por vários tópicos de assuntos ao mesmo tempo.
Falar em geração e aprendizado é muito além. É o meu maior caminho filosófico.
Confere a coluna publicada no Jornal Massa que pode ser lida no link abaixo:
Mas qual a geração que aprendeu? | Portal Massa

Antes mesmo de chegar ao tema da coluna, vale uma curiosidade sobre uma expressão que tomou conta das redes sociais nos últimos meses. "Farmar aura" virou uma forma bem-humorada de dizer que alguém está acumulando respeito, presença, admiração ou simplesmente transmitindo uma imagem tão autêntica que conquista as pessoas sem precisar fazer esforço aparente.
Embora a expressão seja nova, a ideia está longe de ser inédita. Em outras épocas, dizíamos que alguém "tinha presença", "tinha postura", "era boa praça", "passava confiança", "tinha moral", "tinha classe", "era boa influência" ou simplesmente "tinha algo diferente". Todas essas expressões descrevem a mesma percepção humana. Existe uma força que não nasce apenas da aparência, mas da forma como alguém ocupa o próprio espaço e se relaciona com o mundo.
Talvez por isso essa nova linguagem tenha feito tanto sucesso. Ela apenas deu um nome moderno para um comportamento que sempre existiu e que conversa diretamente com o tema desta coluna.
A Gallup mostrou recentemente que jovens homens americanos estão entre os grupos mais solitários do Ocidente. O dado parece distante da realidade brasileira, mas talvez não esteja. No Brasil, crescemos em uma cultura onde praia, calor, estética e presença visual sempre tiveram enorme valor social. Aprendemos cedo a construir imagem, mas demoramos muito mais para aprender presença emocional.
Durante décadas, o homem brasileiro foi incentivado a parecer forte antes de conseguir conversar sobre cansaço, ansiedade ou solidão. E ainda assim a estética masculina evoluía. A skincare, moda casual, treino, tatuagem, cabelo, wellness já faziam parte de todo o nosso contexto social. Mas a mente ainda ficava escondida atrás da performance. Existia uma espécie de armadura silenciosa. O visual refinava enquanto a conexão humana enfraquecia.
Talvez por isso exista algo tão simbólico no retorno cultural de nomes como Al Pacino e Robert De Niro em campanhas recentes e debates sobre masculinidade contemporânea. Não apenas pelo cinema, mas pela imagem de amizade masculina duradoura, construída ao longo do tempo. Em uma geração acostumada a relações rápidas, algoritmos e excesso de estímulo, permanência virou sofisticação emocional.
E o Brasil começa a refletir isso na própria estética. O surf moderno, por exemplo, deixou de representar apenas excesso, resistência física e exposição constante. Hoje existe recuperação, cuidado, proteção solar, saúde mental e equilíbrio. O casual chic contemporâneo nasce justamente dessa mistura entre autenticidade e consciência. Menos exagero visual. Mais verdade.
Marcas como a Mahalo acompanham esse movimento quando ampliam o olhar do surf para saúde verde, conforto e comportamento contemporâneo. Não se trata apenas de roupa. Existe uma mudança silenciosa acontecendo na forma como homens enxergam corpo, pele, rotina e conexão humana.
A geração que aprendeu talvez seja justamente essa que começou cuidando da aparência, mas finalmente entendeu que presença emocional também faz parte da estética. Porque hoje, mais do que parecer bem, a nova sofisticação é conseguir permanecer inteiro e de verdade.
Que energia!
@isaactocinho