O Sol Sofisticado
O SOL SOFISTICADO É A NOVA MODA

Depois da publicação da primeira coluna, percebi algo que talvez seja o maior objetivo de qualquer texto que é fazer as pessoas continuarem pensando no assunto mesmo depois da leitura. Recebi mensagens de surfistas, tatuadores, profissionais da saúde e pessoas que simplesmente vivem a rotina de uma cidade cercada pelo mar. Cada conversa reforçou a ideia de que esse espaço pode ir muito além de falar sobre moda ou comportamento. Pode conectar experiências que fazem parte da nossa identidade.
Foi exatamente essa resposta que me motivou a seguir aprofundando temas que convivem diariamente com quem vive na Bahia. O mar continua sendo cenário, mas agora a conversa avança para algo que quase sempre passa despercebido, que é a maneira como aprendemos a cuidar da nossa própria pele.
Na primeira coluna, contei como a relação entre surf, tatuagem e autocuidado transformou minha forma de enxergar a exposição ao sol. Agora seguimos um passo adiante. Se o Brasil sofisticou sua maneira de vestir, será que sofisticou também sua maneira de se proteger?
A segunda coluna publicada no Jornal Massa pode ser lida no link abaixo.
https://jornalmassa.com.br/artigos/o-mar-sempre-soube-antes-da-ciencia-1334172
E para quem tem interesse confere um pouco a mais.
O Brasil sofisticou a moda, mas negligencia o cuidado
Em 2026, a National Academies of Sciences voltou a reforçar um debate que países de alta exposição solar já deveria tratar como prioridade esse assunto. Isso não é novidade mas a proteção UV deixou de ser estética mas ainda não passou a ser comportamento de saúde. O Brasil evoluiu muito no wellness, no skincare e no lifestyle sofisticado, mas ainda mantém uma contradição cultural difícil de ignorar. Refinamos a roupa, os tecidos, o design e até a linguagem visual do autocuidado, mas seguimos tratando protetor solar como excesso de cuidado e não como o básica de um dia-dia com exposição solar.
Durante décadas, o bronze intenso foi associado à ideia de vitalidade. No imaginário brasileiro, pele extremamente marcada pelo sol carregava símbolos de praia, liberdade e saúde. Mas a ciência moderna passou a mostrar outra leitura e a inflamação crônica, envelhecimento precoce, manchas profundas e danos acumulativos fazem parte dessa conta invisível. Dizer que o problema nunca foi o sol, sem colocar o tempo de exposição na mesma frase, já mostra como esse problema sempre foi o excesso sem consciência.
Isso começa a mudar justamente dentro de culturas que viveram décadas sob exposição extrema. O surf moderno talvez seja um dos maiores exemplos dessa transformação. Nomes como Pedro Scooby já incorporam recuperação física, rotina de cuidado e proteção como parte natural da própria imagem. A estética do desgaste permanente começa a perder espaço para uma aparência mais equilibrada, saudável e consciente.
A própria moda casual brasileira acompanha esse movimento. O visual sofisticado de hoje já não busca aparência cansada ou excesso de exposição. Tecidos leves, tons naturais, conforto inteligente e autocuidado passaram a caminhar juntos. O casual chic brasileiro começou a entender que saúde também comunica estética. E talvez esse seja o verdadeiro amadurecimento cultural da nova geração que passou a perceber que cuidar da pele não reduz autenticidade. Prolonga o contato com essa energia.
Então, o Brasil sofisticou sua imagem antes de sofisticar seu cuidado. Evoluímos no discurso visual, mas ainda estamos aprendendo a criar uma relação madura com o clima que molda nossa identidade desde sempre. Em 2026, proteção solar já não pertence ao exagero. Pertence à inteligência de quem quer continuar vivendo o melhor do sol, do mar e da própria pele por muito mais tempo.
Que energia!
@isaactocinho