Começou no mar
Uma conexão que começou no mar.

Durante toda a minha vida, o único esporte que realmente pratiquei com frequência foi o surf. Como todo soteropolitana que tem o mar como quintal, passei boa parte da juventude dentro d’água, tentando viver uma relação muito natural com o sol, o mar e a praia.
Por mais que já tive me divertido bastante “pegando jacaré” nas praias do corçario foi somente aos 19 anos que conheci o mundo do surf e pela primeira ver tinha realmente me encontrado em algum esporte.
Mas meu problema sempre foi o sol e esse era realmente o ponto que por mais que não me afastasse, me calçava preocupação pôs em pouco tempo já sentia muito os seus efeitos.
Em paralelo a isso estava saindo da época Vieirence e esperando o início do mundo UFBA que já começava em greve, aumentando meu convívio com o mar. Mas começando as aulas, no final do primeiro ano da faculdade de Design recebi uma chamada inesperada para conhecer o mundo da tatuagem.
Ao conhecer esse universo, até então inexplorado quase em toda a realidade da época, me encontrei e assim se inicia o meu caminho longe do sol.
Comecei a enxergar a pele de uma forma diferente. O que antes era apenas um bronzeado passou a ser exposição solar junto com toda a evolução ainda muito rustica desse universo. Ao longo dos anos, trabalhando diariamente com pele, cicatrização e preservação estética, fui entendendo cada vez mais a importância do cuidado. Sem abandonar o amor pelo mar, mas compreendendo melhor seus efeitos. Onde só passou a fazer parte das janelas as quais eu tinha convívio.
Anos se passaram e justamente dentro dessa convergência que surgiu minha aproximação com a Mahalo.
Em uma conversa com @junniorcavaco, grande parceiro da marca, que sempre acompanhou as evoluções do mundo que percebemos a existência dessa mesma visão dos dois lados. A Mahalo também já vinha ampliando seu olhar sobre o lifestyle do surf, trazendo discussões ligadas à saúde verde, autocuidado, comportamento contemporâneo e uma estética mais consciente. O que começou como uma conversa se transformou em uma parceria editorial voltada para compartilhar informação, cultura e reflexão com o público.
Por isso recebi com muita felicidade o convite para iniciar essa jornada de textos para a Mahalo no Jornal Massa, um dos veículos mais atuais e populares da Bahia. O assunto é mundial a a raiz é soteropolitana. A estreia representa não apenas uma nova fase profissional, mas também a oportunidade de unir experiências vividas no surf, na tatuagem, nos esportes da vida que mudaram o comportamento humano em um mesmo espaço de tempos.
A primeira coluna publicada pode ser lida nesse link Massa:
https://jornalmassa.com.br/artigos/o-mar-sempre-soube-antes-da-ciencia-1334172
E para quem tem interesse confere um pouco a mais.
O mar sempre soube antes da ciência
Em 2026, a ABC News repercutiu um estudo da University of Queensland sobre os impactos da radiação UV em surfistas e nadadores expostos diariamente ao oceano. A pesquisa reforça algo que o Brasil, principalmente o litoral brasileiro, já vive há décadas na prática. O mar cura muita coisa, mas também cobra cuidado. Principalmente o sol. A exposição contínua acelera o desgaste da pele, o envelhecimento precoce e danos silenciosos que antes eram tratados apenas como parte natural do estilo de vida praiano.
Mas o Brasil sempre teve uma relação diferente com o oceano. Aqui, o mar nunca foi somente esporte. Foi identidade cultural. O surf brasileiro influenciou moda, música, comportamento, fotografia, tatuagem e até a maneira como o corpo passou a ser visto socialmente. Durante muito tempo, o bronzeado extremo era tratado quase como símbolo obrigatório de saúde e liberdade. Hoje, existe uma transformação silenciosa acontecendo.
A nova geração ligada ao mar começa a trocar excesso por equilíbrio. Nomes como Italo Ferreira representam essa mudança de comportamento. O corpo bronzeado continua presente, mas agora dividido com recuperação física, proteção solar, alimentação mais limpa e consciência estética. O lifestyle praiano amadureceu. O oceano deixou de representar apenas intensidade e passou a simbolizar permanência.
Essa mudança também aparece na moda casual contemporânea. Marcas ligadas originalmente ao surf passaram a abandonar o visual exagerado e extremamente queimado de sol para abraçar uma estética mais saudável, sofisticada e natural. Tecidos leves, aparência limpa, conforto real e autocuidado passaram a ocupar o mesmo espaço da liberdade que sempre existiu no lifestyle praiano.
O casual chic brasileiro nasce justamente desse equilíbrio entre natureza, cidade, corpo e saúde. Na tatuagem, essa transformação também ficou evidente. Durante muitos anos, o excesso fazia parte da estética. Era belo o excesso de exposição, assim como o excesso visual. Hoje existe uma busca maior por pele saudável, contraste limpo e preservação da própria imagem ao longo do tempo.
O cuidado deixou de ser vaidade e passou a ser permanência. Quem vive da própria imagem, seja no surf, na moda ou na arte, entendeu que cuidar da pele não afasta ninguém do mar. Pelo contrário. É justamente o cuidado que permite continuar vivendo o oceano por muito mais tempo.
O Brasil talvez nunca tenha precisado da ciência para perceber isso intuitivamente. O mar sempre ensinou antes. A diferença é que agora a ciência é vista como aliada constante. E assim entendemos que cuidar é o que permite continuar vivendo o mar por muito mais tempo.
Que energia,
@isaactocinho